quarta-feira, 30 de setembro de 2009


“Depois de alguns instantes, o acúmulo de tristeza acabou por se transformar em farsa. Choramos durante meses, anos, e um dia, a repetição incessante dessas lágrimas faz a natureza do sofrimento se transformar. Damo-nos conta de que a causa da nossa tristeza já não é a dor, mas sim o hábito. Então, apesar dos esforços para produzir lágrimas em nossos olhos e para nos sentirmos infelizes, não conseguimos mais. Porque já não faz sentido. Como uma associação de idéias, a mente de Elias buscou na memória uma recordação da infância. A primeira cintada dói, mas, a partir da milésima, ficamos apenas à espera de que aquilo passe logo, como uma chuva. O mais doloroso não são os golpes, mesmo que se morra por causa deles, mas a ausência de amor.”

A gente se acostuma com o fim do mundo. Rio de Janeiro, Rocco, 2007. Pág. 98

Nenhum comentário:

Postar um comentário