quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Tenho permissão para ser uma idiota.. ( tenho um cone agora)

Tenho um CONE. Planejei isso com o Neicyr. (O texto é do orkut dele)

Seja um Idiota!

A idiotice é vital para a felicidade. Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado?
Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins. No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota!
Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.
Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto. Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça? hahahahahahahahaha...
Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?
É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar? Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.
Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa. Dura, densa, e bem ruim. Brincar é legal. Entendeu? Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar
descalço, não tomar chuva. Pule corda! Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.
Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" realmente aceitável. Teste a teoria. Uma semaninha, para começar. Veja e sinta as coisas como
se elas fossem o que realmente são: passageiras. Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e
transmitir isso adiante ou sorrir...
Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração! Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?
"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche" (Ailin Aleixo)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

(Um amigo meu traduziu para mim... pensei que você ia gostar de ler também.)


A POESIA CICATRIZADA DE CHARLES BUKOWSKI

Notas de uma humanidade safada (por Glenn Esierly)

Durantes os preparativos para a leitura de poesia desta noite, Charles Bukowski está lá fora no estacionamento, vomitando. Ele sempre vomita antes das leituras, a platéia sempre lhe da náuseas. E para esta noite, há uma grande platéia. Por volta de uns 400 estudantes ruidosos - muitos deles que vieram diretamente da 49`s, a taverna mais próxima – estão abarrotados em um auditório antséptico na Universidade do Estado da Califórnia em Long Beach, na 4ª noite da chamada "Semana da Poesia". Não exatamente o tipo de evento programado para deixar o campus empolgado, o que fora comprovado com o esparso público nas leituras de outros poetas durante as três primeiras noites. Mas Bukowski sempre atraiu uma boa multidão. Ele tem uma reputação aqui – tanto por sua poesia como por sua performance. Da última vez que esteve aqui, ele tinha uma leitura durante a tarde e outra durante a noite. Neste intervalo, ele se afogou em uma garrafa e passou do limite. Bêbado demais para ler em sua performance noturna, ele decidiu entreter os estudantes trocando insultos com eles. O que acabou em um show e tanto, de fato.

Nos bastidores, Leo Mailman, que escreve para uma pequena revista literária e é organizador da leitura desta noite, da uma espiada por de trás das cortinas para olhar a platéia e diz: "Várias destas pessoas estavam aqui em sua última leitura. Algumas delas ficaram desapontadas com sua

embriagues, acharam que foram roubadas. Mas muitas outras ficaram perfeitamente satisfeitas, pois sentiram que deram uma olhada dentro do "verdadeiro Bukowski"- você sabe, o lendário velho rouco e sujo, o bêbado que não dá a mínima para nada e sai por ai á procura de brigas. Eles viram o Bukowski em sua essência, nu e cru.

"Por outro lado, quando o chamei para falar sobre os preparativos para sua leitura, ele estava completamente sóbrio e caiu sobre si mesmo, se desculpando por suas atitudes da última vez. Ele tinha uma voz macia, me contando o quão sentido ele estava por ter ficado tão bêbado, e que esta noite ele pretendia se redimir. Eu estava impressionado. Então, quem vai dizer qual deles é o verdadeiro Bukowski – o bêbado hostil que faz um espetáculo de si mesmo, ou o cara humilde e inseguro que estava preocupado com o fato de que talvez tenha deixado alguém magoado?"

Alguns minutos depois, Bukowski trajando uma camisa aberta, um casaco esfarrapado e meias cinzas, aparece nos camarins, tendo terminado suas atividades de "aquecimento" no estacionamento. Pálido e nervoso, ele diz a Mailman: " Ok, vamos acabar logo com isso para que eu posso pegar meu cheque e me mandar daqui." Então ele se moveu pesadamente e sem ser anunciado até o palco. Mailman vira-se para a acompanhante deBukowski, Linda King, uma vigorosa e bem-apessoada mulher de 34 anos, poetisa e escultura quem vem sobrevivendo à um turbulento relacionamento de cinco anos com o poeta. "Ele está bem?" Mailman pergunta. "Claro", ela diz. "Ele tomou apenas algumas cervejas, e se sente muito bem. Ele quer fazer direito esta noite." Enquanto o público começa a aplaudir, Bukowski pega uma cadeira atrás de uma pequena mesa no palco. Chegando mais perto do microfone ele anuncia: "Eu sou Charles Bukowski ", então toma um longo trago de uma garrafa térmica contendo suco de laranja e vodka, fazendo um brinde a vários estudantes. Abre um largo sorriso, metade tímido, metade risonho. "Eu trouxe um pouco de vitamina C para minha saúde....Bem, aqui estamos, no atropelo de poesias novamente. Escutem, eu decidi ler todos os poemas sérios primeiro, e tirá-los da droga do caminho, para que possamos nos divertir, ok ?"

Assim que ele começa a leitura, uma garota na terceira fileira que estava vendo o poeta pela primeira vez, vira-se para um amigo e pergunta, "Você acha que ele é tão feio quanto dizem?" Seu amigo leva as pontas dos dedos aos lábios, refletindo, enquanto o mede de cima a baixo. "Sim. Mas de alguma forma ele tem um aspecto impressionante. Aquele rosto...ele parece ter vivido uns cem anos. É trágico e digno ao mesmo tempo."

Aquele rosto. Por qualquer padrão convencional é feio, e na maior parte dos seus 55 anos de vida, é disso que as pessoas o chamavam. É disso que ele era chamado durante todos os anos em que ele estava trabalhando em matadouros e fábricas, vivendo no lado de baixo do "Sonho Americano". Mas as coisas mudaram. O alcoólatra rude e anti-social agora está ganhando a vida com sua escrita, expressando com palavras em um papel, através de poemas cruamente sensitivos e escritos de forma intensa, e de contos que lhe renderam uma reputação internacional, com traduções em outras línguas. Ele escreve sobre o que ele vivencia: pobreza, empregos pequenos, ressacas crônicas, mulheres difíceis, cadeias, lutas contra o sistema, falhar, se sentir mal. A impressão criada é de alguém com seu pé preso em uma armadilha, e que está tentando se livrar dela. Isso poderia causar uma certa insipidez em que lê, se não fosse pelo fato de que há alívio em sua escrita, através de um humor sórdido que as vezes nos faz ter a impressão de que W.C Fields reencarnou como um escritor.

O apelo de Bukowski estava resumido antes da leitura de Gerald Locklin, um robusto e barbudo poeta, que ensinava literatura em Cal State. Locklin, que vinha acompanhando o progresso de Bukowski e o conhecia por quatro anos, estava bebendo cerveja com uns estudantes na 49`s e observando: "Eu penso nele como um estudo de sobrevivência. Este cara não apenas sobreviveu a problemas que matariam a maioria dos homens, mas sobreviveu com voz e talento suficientes para escrever sobre isso. Vocês sabem, estão sempre encontrando pessoas em bares, que dizem que se pudessem apenas escrever sobre suas vidas, daria uma ótima leitura. Bem, eles nunca o fazem, é claro. Mas Bukowski faz.

Locklin também acredita que Bukowski "merece crédito por nos conduzir por outro direcionamento da poesia americana, com seu estilo direto, espontâneo, coloquial e de forma livre. Muitos poetas têm discutido por muito tempo sobre uma narrativa de qualidade em seus trabalhos, mas até o aparecimento de Bukowski, nenhum deles havia sido bem-sucedido. Ele apenas o fez naturalmente, sem pensar muito a respeito. Os poetas mais tradicionais o odeiam por isso, mas eu acho que a tendência que ele começou já estava ultrapassada Seu tipo de estilo tem esse perigo: pode resultar em muitas poesias medíocres, e Bukoski já escreveu as suas. Mas em seu melhor, é difícil de ser superado, acreditem."

Outra opinião suprida pela poetisa Hal Norse, que teve um rompimento com Bukowski depois de ter estado próxima dele por muitos anos. Escrevendo sobre seu relacionamento na "Small Press Review", Norse disse: "Odioso como só ele pode ser, oh Deus, ele pode ser tão detestável ao ponto de você querer enfiar algo em seu traseiro – de alguma forma o calor e o charme arrogante deste bastardo vem á tona de maneira tão poderosa que ele permanece com uma personalidade atrativa, mesmo com toda a feiúra."

Então, aqui está o homem, fazendo acontecer finalmente. Sartre e Genet elogiaram sua poesia de maneira voluntária. Seu posto como um herói folclórico underground está seguro. Faculdades de todo o país o convidam para leituras. Alguns críticos chegaram mais além, e comparam suas histórias em prosa com aquelas de Miller, Hemingway. A Associação de Dotes Nacionais de Artes o abençoou com um um dote (quantia em dinheiro). Uma universidade estabeleceu um arquivo literário em seu nome. Seus primeiros livros fora de catálogos são verdadeiros itens de colecionador. Jovens desesperadas continuam ido até sua casa. E agora elas descrevem seu rosto com adjetivos como trágico.....digno....e até mesmo bonito. Bukowski aprecia a ironia nisso tudo.

O rosto, sem dúvida, foi se tornando absurdamente horrível ao longo dos anos. Uma doença sanguínea o hospitalizou por meses quando adolescente, com espinhas do tamanho de pequenas maças cobrindo seu rosto e costas ( "era o o ódio que sentia por meu pai saindo pela minha pele – uma coisa emocional"), deixando cicatrizes para uma vida toda. Mais tarde, as vadias cruéis que saim com ele, cutucavam pedaços de carne com suas unhas compridas, enquanto ele estava bêbado demais para reagir, deixando assim, mais cicatrizes horrendas. No meio desses "mapas faciais de problemas passados", ainda há um nariz bulboso, inchado e encaroçado, e uma vermelhidão em inútil protesto contra a exorbitante quantidade de álcool ingerida. E acima do nariz, dois pequeninos olhos cinzas lançados profundamente no imenso crânio fitando o mundo de maneira atenta. Uma inesperada característica do corpo de Bukowski está em suas mãos: duas mãos um tanto delicadas, mãos de um artista ou músico. Mãos realmente bonitas. ("Eu digo as mulheres que meu rosto representa minhas experiências e as mãos, minha alma – tudo para tirar suas calcinhas".) Suas belas mãos alcançam a garrafa térmica após cada poesia lida, enquanto ele se encolhe um momento, lendo sobre sua mulher.

A vodka está funcionando, o velho está "rolando". Bukowski está em boa forma, com a quantidade de álcool na medida para trazer seu lado "showman", e o público responde entusiasmado. Em linhas humorísticas, ele lê de maneira cômica, esticando certas sílabas para enfatizar em sua voz de agente funerário, tentando estimular os mesmos sentimentos que se lê nos papéis em sua fala. Apesar de seu assumido desgosto pelas leituras, ele parece estar se divertindo agora, e para surpreender de vez o público com sua performance, ele encerra lendo um trecho de seu mais novo romance inacabado. Uma desinibida história sobre um encontro com uma mulher gorda, tarada e de meia idade ( "Me permitam dizer, que isso realmente aconteceu comigo"), mantém a platéia gargalhando com um abusivo exagero: "Ela se jogou sobre mim, e eu estava esmagado por 110 Kg de algo um pouco mais leve do que um anjo. Sua boca estava sobre a minha e tinha o hálito de cebolas, vinho seco e o esperma de uns 400 homens. De repente ela emitiu saliva, então a afastei, e antes que pudesse me mover de novo, ela estava novamente em cima de mim, ela agarrou minhas bolas com as duas mãos. Abriu sua bocarra, abaixou sua cabeça, ela me tinha, me chupava rodopiando. Embora eu estivesse á ponto de vomitar, meu pau continuava crescendo. Então, dando um tremendo puxão em minhas bolas, e quase partindo meu pinto ao meio com os dentes, ela me forçou a cair no chão. Enormes sons de chupadas ecoavam pelas paredes enquanto no meu rádio, tocava Mahler. Meu pênis ia ficando maior, roxo e coberto de saliva. Se eu gozar, eu pensei, nunca vou me perdoar..."

No final, muitos estudantes levantaram para ovacioná-lo. Ele tirou seus óculos e fez um pequeno aceno para a multidão. "Agora vamos todos sair e ficar chapados." Ele pegou seus papéis e levantou para sair. Os aplausos continuaram quando ele saiu andando, obviamente satisfeito, ele de repente retorna e vai até o microfone. Por um momento ele abaixa sua guarda. "Vocês estão cheios de amor," ele diz.

Henry Charles Bukowski Jr., romancista, escreve contos, megalomaníaco, viçoso, mulherengo, lenda viva, aficionado por música clássica, escatológico, sexista, psicologicamente abalado, rato de cadeia, cuzão, genioso, apostador de jóqueis, marginal, anti-tradicionalista e ex-servente civil, está sentado na pequena sala de estar de seu bangalô mobiliado de três cômodos, um pequeno apartamento de $105 por mês, com um tapete úmido, mobília mal arranjada e cortinas desfiadas. É um lugar típico, um entre oito bangalôs como este se encontram em apenas uma quadra da Avenida Western em um seção populosa de Holywood, com casas de massagens, cinemas que só exibem filmes pornográficos e bocas de fumo. A moça que mora ao lado é stripper e o outro inquilino cuida da casa de massagens do outro lado da rua. Bukowski se sente em casa aqui. Por oito anos, ele havia morado em uma casinha parecida com essa, onde sua escrita fluiu, apesar do fato de que aquele lugar,de acordo com todos que lá estiveram, era a mais nojenta moradia que eles já viram (Bukowski pessoalmente, no entanto fora e é, imaculado, ele tem o hábito de tomar quatro ou cinco banhos por dia). Depois ele se mudou para um apartamento bem mais caro, em um moderno complexo, porém se sentiu deslocado e sua velha máquina de escrever silenciou-se. Então se mudou para seu pequeno bangalô na esperança de que isso restauraria sua criatividade, e de longe, isso aconteceu. Ele ainda não esteve aqui tempo o suficiente para o acúmulo de pó e coleção de garrafas de cerveja, mas está trabalhando nisso. As únicas características notáveis do lugar, são 2 quadros pendurados nas paredes. São pintados por Bukoski e não são ruins.

Ele está mamando em uma lata de cerveja, de uma das duas caixas que trouxe para suavizar a entrevista. Ele não se incomoda em levantar para por as cervejas na geladeira; ele aparentemente deduz que iríamos bebê-las antes da noite acabar. Descalço, vestindo uma calça jeans azul, uma camisa amarela, com botões faltando, ele parece perdido e relaxado. Mais relaxado, de fato, do que eu. Aquele rosto de Bukowski, na verdade, é meio esmagador em um contato cara á cara. Então, mais tarde eu aprendi o bastante sobre ele, em conversas com pessoas que o conheciam bem, aprendi que com Bukowski nada é previsível. Seus conhecidos me disseram que ele até toleraria a mim e minhas perguntas, mas que não iria tão fundo a ponto de ser cordial. Sendo assim, fico surpreso quando ele me cede um lugar gentilmente, me apanha uma cerveja anunciando: " Estive bebendo cerveja o dia todo, mas não se preocupe garoto, eu não vou meter meu punho pela janela ou detonar alguma móvel. Sou um bebedor de cerveja benigno...na maior parte do tempo. È o whiskey que me traz problemas. Quando estou o bebendo entre pessoas, eu tendo a ficar bobo ou selvagem, o que pode me causar problemas. Então quando bebo, prefiro tentar beber sozinho. Essa é a marca de um bom bebedor de whiskey mesmo – beber sozinho lhe trás uma reverencia adequada pela bebida. A coisa faz até o abajur parecer diferente. Normal Mailer pronunciou muita merda, mas ele disse algo que achei ótimo. Ele disse, "A maioria dos americanos têm sua inspiração espiritual quando estão intoxicados, e eu sou um desses americanos." Uma declaração que eu apoio 100%. Agora uma coisa é verdade, um homem deve ser cuidadoso em como ele mistura álcool e sexo. A melhor coisa para um homem sábio é fazer sexo antes de ficar bêbado, pois o álcool pode lhe tirar a boa e velha virilidade. Eu, de longe, tenho sido imparcialmente bem sucedido nisso." Gargalhando, ele também me informa que uma amiga do sexo feminino havia acabado de partir minutos antes de eu chegar. "Sim, eu tive ela nessa sofá em que você está sentado. Ela era bem jovem, talvez 23 ou 24. Tudo bem com ela, exceto pelo fato de que ela não sabia beijar. Por que beijar garotas jovens lhe da a impressão de estar beijando uma mangueira de jardim ? Cristo, suas bocas não rolam, elas não sabem como fazer isso. Ah, bem eu não devia reclamar. Com esta, foram 3 garotas diferentes em 36 horas. Cara, eu lhe digo uma coisa, mulheres preferem foder com poetas, do que com qualquer outra coisa, até com pastores alemães. Se eu soubesse disso antes, não teria esperado até os 35 para começar a escrever".

Nó começamos falando sobre sua infância, nos focando em detalhes, a maioria ainda dolorosos para ele; sua vinda para Los Angles após ter nascido em Adernach, Alemanha; seu terrível problema com acnes no rosto e nas costas, as constante surras de seu pai, um leitura que levava ao extremo a disciplina da Prússia, golpeando seu filho quase que diariamente, usando uma lâmina e dizendo todos os tipos de insultos possíveis; o sentimento, até para um jovem criança, era de alienação e isolamento, de não pertencer a lugar algum, de ser inferior e superior aos demais ao mesmo tempo, de alguma forma. "O idiota da escola sempre chegava até a mim", ele lembra. "Você sabe, o cara fodido e vesgo, que vestia o tipo de roupa e errado, e estava sempre por aí pisando em merda. Se tivesse um monte de merda de cachorro a uns 100 metros, ele dava jeito de chegar até ela. Então eu meio que o desdenhava, mas de alguma forma ele sempre acabavam se tornando meus parceiros. Nós sentávamos juntos, comendo nosso sanduíches de manteiga de amendoim, assistindo os outros garotos jogarem." Muitos outros garotos da escola criaram o hábito de bater nesse seu amigo indefeso. Porém, por alguma razão, eles deixavam Bukowski em paz. "Eles entendiam que eu era quase como eles, quase tão fodido quanto eles, então eles eram cautelosos comigo" ele diz. "Eu parecia ter algo mais, algo em meu comportamento que os as afastava de mim. Talvez eu tivesse algo de selvagem em meu olhar, não sei, só sei que eles pareciam sentir que se tentassem algo comigo, poderiam ter problemas. E eu acho que eles estavam certos." Seu tom é informal, sem emoção, mas traços de amargura são perceptíveis. "Eu me tornei um cara duro, por conta de todas essas surras do meu pai. O velho me endureceu, me preparou para o mundo."

Quando ele tinha 16, voltou para casa bêbado uma noite, passou mal e vomitou no tapete da sala. Seu pai o pegou pelo pescoço e começou a tentar afundar seu nariz no vômito, como um cachorro. O filho explodiu, se livrando e acertando o pai diretamente no maxilar. O Sr. Henry CharlesBukowski foi abaixo e permaneceu por um longo tempo. Ele nunca mais tentou bater em seu filho.

Quase na mesma época, o jovem Charles começou a freqüentar bibliotecas públicas. Ele havia decidido que ser tornar um escritor fazia sentido quando se era uma pessoa sozinha, e a solidão o seduzia. Nas bibliotecas, ele procurava por heróis literários. Folheando pelos corredores, ele ia se virando para os livros, e quando encontrava uma página que lhe interessava, ele levava o livro pra casa para ler. "Eu havia encontrado um escritor ou outro," ele diz, "e depois de um tempo eu percebi que havia descoberto os mesmo que foram crescendo ao decorrer dos anos. Eu gostava dos russos, Chekhov e caras como esse. Mas haviam alguns outros. Um dia, um livro nas prateleiras me chamou atenção, se chamava "Curve-se perante a madeira e a pedra" de Josephine Lawrence. O título me pegou pelos olhos, então eu comecei a ler suas páginas, porém, apenas o título era bom. Então escolhi um livro que estava bem ao lado desse e quando comecei a ler eu disse "ei, este bastardo sabe escrever." Era do D.H Lawrence."

Ele estava terrivelmente desapontando com os escritores americanos contemporâneos. "Eu me mantinha pensando, 'Eles estão jogando de maneira muito segura; eles estão recuando, não estão lidando com a realidade.' Pelo menos com a realidade que eu conhecia. Diabos, eu via essas pessoas na biblioteca com as cabeças afundadas em suas mesas, sonolentas, com os livros abertos em frente, e moscas voavam ao redor de suas cabeças. Taí um comentário muito bom a respeito dos livros, não? Sim, eu acho que resumiu o que eu sinto pela leitura. E a poesia – Jesus! Quando eu estava crescendo, poetas pensavam como maricas. È fácil ver o porque. Quero dizer, você não conseguia sacar qual era a deles, que diabo eles queriam dizer. O poema poderia ser sobre alguém levado um soco na boca, mas o poema nunca iria dizer que alguém levou um soco na boca. O leitor teria que matutar sobre aquela porra toda umas 18 vezes para conseguir capturar essa idéia. Então eu pensei que talvez eu teria alguma chance, pois o que era escrito era tão pálido e sem vida. Veja bem, eu não estou dizendo que eu era tão bom, só estou dizendo que eles eram horrivelmente ruins. "

Enquanto jovem, Bukowski escreveu centenas de contos e os mandava para revistas, como Harper´s e Atlantic Monthly onde seu estilo e temáticas não tinham chance. Enquanto os manuscritos vinham retornando, ele concluir que eles não eram nada bons e os jogou fora. Quando ele completou 25, seus esforços pareciam tão em vão que ele decidiu abandonar completamente suas ambições de ser escritor. Foi quando ele caiu na estrada, no que viria a ser seu "período ébrio", que durou 10 anos. Sua vida era medida em caixas de cerveja, e garrafas de vinho barato. Junto com as bebedeiras, vieram incontáveis trabalhos estranhos ( ele uma vez, vigiou portas em um prostíbulo), um bom número de noites passadas na cadeia, e algumas tentativas de suicídio.

Havia também, uma mulher chamada Jane. Ele a conheceu em um bar e viveu com ela por vários anos. Eles tinham duas coisas em comum: ambos eram alcoólatras e perdedores. Jane estava pulando de fora de um casamento com um rico contador. Ela era uns 10 anos mais velha do queBukowski, em um estágio da vida em que, segundo ele "uma mulher ainda é facilmente levantada, pendendo no limite entre ruir, e é quando elas parecem mais sexys para mim". Jane foi a primeira mulher que lhe trouxe alguma tipo de afeto e ele apreciava isso. Até os 22 ou 23 anos de idade, ele não havia nem sequer tentado transar, pois ele era inseguro com seus problemas de pele, e depois que ele começou a perseguir mulheres, descobriu que elas normalmente tinham tendência a rejeitá-lo. Como resultado, ele se encharcou do carinho de Jane e se amarrou a ela, mesmo nas noites ocasionais em que ela permitia que outros homens a tocassem e a levassem pra suas casas.

A bebida finalmente matou Jane, e alguns anos depois, com 35 anos, Bukowski quase se matou com uma implacável bebedeira. Onze quartilhos* de sangue foram bombeados em suas veias, no hospital de LA, para salvá-lo de uma úlcera mortal. Quando saiu do hospital, seus médicos lhe avisaram que ele seria um homem morto se tocasse em álcool novamente. Isso o irritou tanto que ele andou até o bar mais próximo, e tomou algumas cervejas – uma típica atitude da lenda que estava por vir. Depois de um período de recuperação, ele acabou por seguir uma rotina. A noite ele trabalhava como balconista do posto de correios do centro da cidade. Depois, nas primeiras horas da manhã ele voltava para seu apartamento sujo, ligava o rádio em uma estação de música clássica, sentava com seu velho Royal, se energizava pela combinação de whisky, raiva e desespero e escrevia poemas. Diretos, brutais, poemas honestos tingidos por sua hostilidade e dor, porém estampados com alguma compaixão e justificativa pela vida. Ele mandou seus poemas para pequenas revistas, de publicação underground, e para sua surpresa, elas começaram a publicá-las regularmente. Logo, publicações independentes traziam coleções de seus trabalhos. Ele rapidamente passou a ser reconhecido com um poeta underground de talento considerável, e havia indícios de que isso não ia parar por ai. Em 1963, em uma introdução para "Bukowski pegou meu coração em suas mãos", o escritor e crítico John William Corrington especulou que " os críticos do final do nosso século podem muito bem clamar que o trabalho de Bukowski foi o divisor de águas entre a poesia americana do século 20 e o período Pound-Eliot-Auden* e a do novo tempo, onde a voz humana assumia o discurso. Ele substituiu o estilo formal e a dicção estilizada dos dias de Pound-Eliot-Auden com uma linguagem desprovida de afetações e maneirismos que permeavam os versos, e lotavam as universidades e publicações comercias de imitações e mais imitações de Pound e os outros. O que Wordsworth alegava ter em mente, o que William Carlos Williams alegava ter feito, o que Rimbaud realmente fez em francês, Bukowski adaptou para a língua inglesa."

Coisa cabeça. Neste meio tempo, nosso mais novo arauto gênio continuava a gastar uma boa parte de sua energia separando cartas. Isso foi até 1970, com o incentivo de seu primeiro publicante, John Martin da Black Sparrow Press, ele finalmente tomou coragem para largar o emprego. Em pânico e temendo por sua segurança financeira, ele trabalhou no rascunho de seu primeiro romance, Cartas na Rua, em três semanas detalhando o tédio, a morte lenta e as insanidades burocráticas que vieram com o trabalho, também algumas descrições de seu breve e bizarro casamento com uma herdeira de uma fortuna do Texas ("Lá se foi minha única chance de ter acesso a milhões") e seu relacionamento com a mulher que aborrecia sua filha, Marina (a quem ele ama, visita semanalmente e ajuda a sustentar).

Hoje ele leva uma vida confortável e faz algum dinheiro, embora nada exorbitante, dinheiro de vendas de livros (royalties), leituras de poesias, e com a coluna "Notas de um Velho Safado" que é escrita semanalmente para a L.A Free Press. Entretanto, a fortuna talvez esteja por vir, há algo de maravilhado em seus olhos quando ele diz: "Eu vou estar aqui tentando fazer algo com minha velha máquina de escrever, e alguém vai me ligar querendo fazer um filme com alguma das minhas histórias – Então eu começo a falar sobre as edições, e em como eu tenho que ter boas maneiras e não ser tão grosseiro, e eu penso comigo mesmo: "Bom Deus, o que está acontecendo comigo? Que diabos está acontecendo aqui? Agora que estou tendo um pouco de fama, as pessoas derepente aparecem na minha porta. Eu estou cabreiro com isso. Acho que posso lidar mas estou cabreiro."

Mas e se um grande negócio pintar?

"Eu provavelmente iria parar de ser cabeça dura e seria extremamente malicioso e sujo. Teste me. Agora, se você quer a verdade, eu não acho que chegaria a este ponto, eu já passei por muita coisa, fui endurecido pela vida por muito tempo."

Taylor Hackford, produtor do documentário sobre o autos para a KCT TV de Los Angeles, e possuidor dos direitos de roteiro de Cartas na Rua, diz que Bukoski é cheio de ambivalências quando se trata da chegada tardia do sucesso. "As vezes ele acha que o reconhecimento que ele finalmente está tendo e merecido e demorou muito" diz Hackford. " Outras vezes ele acha que tudo não passa de uma peça que alguém está pregando nele, como se alguém lhe tirasse a velha máquina de escrever e dissesse que estavam só brincando. Há uma grande batalha interior entre o sentimento de que ele é realmente um dos melhores e um imenso sentimento de insegurança. Eu acho que ele ficará bem contanto que ele não vá muito longe do que é sua escrita, seu estilo. A única coisa que pode o matar é começar a fazer mais leituras, começar a viajar pelo país, pegar aviões e parar em Holyday Inns. As leituras o deixam nervoso, então ele tende a beber pesadamente antes, durante e depois delas. E acaba tomando o rumo que toma. Eu acho que ele reconhece este perigo. De fato ele escreveu uma grande história sobre isso, chamada "Foi isto que matou Dylan Thomas". Se ele reduzir o número de leituras e beber sob um controle responsável, acredito que iremos ouvir falar muito mais a respeito deste homem no futuro".

Bukowski, segundo o próprio, está em sua "melhor forma". "Estou escrevendo menos, mas estou escrevendo muito melhor. Há mais cuidado ao escrever cada linha. Eu tenho muitas auto-dúvidas, então sei que estou medindo a coisa direito. Bem agora tudo se encaixou. Eu estou no meu caminho. Estou imbatível. Amanhã de manhã é outra coisa. Quem sabe, tudo pode ruir e eu possa enlouquecer, delirar ou estuprar um bode, algo assim. Existe sempre a chance de que possa terminar derrapando de novo, bebendo com os garotos. Eu nunca me denominei um poeta, nem nada dessas merdas. Eu apenas sento ali, bebo com eles e digo: "Bem caras, eu imaginei que poderia me tornar isso."

A cerveja vai rapidamente desaparecendo, e seus olhos estão ficando terrivelmente vermelhos, debaixo daquelas sobrancelhas cerradas. Uma luz sobre uma mesa atrás dele cria um efeito engraçado sob o topo de sua cabeça, parecendo formar o que seria uma auréola. A auréola definitivamente não se encaixa. Ele parece estar se sentindo bem.

Eu pergunto a ele o quanto ele acha que sua aparência física afetou sua vida afetiva.

"Eu não sei. Acredito que me fez despertar o cara solitário dentro de mim. E ser um cara solitário não é algo ruim para um escritor. Eu sei que a cara está ajudando a vender livros agora. A foto que fizeram de mim para a capa de "Ereções.." ajudou muito a vender aquele livro. O rosto na capa é tão horripilante e fora do comum, que faz as pessoas pararem e querer descobrir que tipo de maluco esse cara é. Então foi muita sorte pra mim passar por toda a merda que eu passei porque agora "eu tenho essa cara que vende livros".

E quando isso chega a mulheres....

"È uma pergunta delicada – meu rosto as assusta?"

Não. Não existem várias mulheres atraídas por ela agora?

"Sim, eu recebo todo tipo de comentários sobre ela. Elas falam coisas do tipo "Você tem um rosto mais bonito do que o de Cristo!" Isso soa bem de primeira, mas quando paro e penso a respeito, o rosto de Cristo não era tão bonito assim. Mas eu acho que mulheres são como rostos feios, sim. Eu farei este depoimento categoricamente. Elas querem que as mães voltem ao paraíso. Eu não tenho o que reclamar."

Uma chamada telefônica nos interrompe e pela conversa eu posso dizer que é Linda King. "Não"- ele diz a ela. "Eu não posso passar aí essa noite. Estou sendo entrevistado." Lançada os olhos em mim, ele levanta a voz para assegurar que estou ouvindo. "É, esse cara de bunda grande, provavelmente de alguma publicação pervertida, mas ele parece bastante respeitável pra mim. Corte de cabelo de dez doláres, roupas sob medida, botas invocadas. O que estou dizendo á ele? Um monte de mentiras, que diabos mais? É eu também acho que ele acredita nelas."

Depois de ele desligar o telefone, eu insinuo que seu material recente reflete um tipo de suavidade em seu estado em relação as mulheres e pergunto se isso tem algo a ver com seu atual feliz, ou se preferir, firme relacionamento com Linda.

Ele coça sua barba por fazer. "Bem, eu acho que devo admitir que amoleci um pouco. Eu tenho sido acusado de odiar as mulheres e isso definitivamente não é verdade. É só que as mulheres com quem andei por um longo tempo não eram exatamente prêmios. Eu dormia com elas, acordava e elas tinham levado meu dinheiro. Se um homem vai a uma casa de prostituição, ele vai conseguir uma prostituta, e é isso. Eu conheci Jane por volta dos meus vinte poucos anos, e ela foi a primeira mulher, a primeira pessoa de fato, que me trouxe algum amor. Foi a primeira vez que eu descobri essa coisinha idiota que faz as pessoas se preocuparem umas com as outras, nos faz sentir prazer em coisas bestas e gentis como ficar deitados na cama em uma tarde de sábado, lendo ou preparando carne para um jantar juntos."

Na intenção de o cutucar um pouquinho, eu relembro alguns depoimentos contraditórios feitos no passado sobre as mulheres. Como por exemplo, "mulheres são as intenções mais maravilhosas do mundo" e por outro lado "eu não recomendaria a nenhum homem se envolver com uma mulher".

"Certo. Ambos depoimentos são absolutamente verdadeiros. Nenhuma contradição. Próxima pergunta." Ele gargalha e bebe sua cerveja, sabendo que a tacada foi certeira. Então ele decide continuar mesmo assim. "Deixe me contar uma pequena história garoto. Antes de eu conhecer Linda, passei quatro anos sem mulher nenhuma e isso me fez muito bem. De alguma foram eu atingi um estágio no qual não queria passar de jeito nenhum pela tensão de um relacionamento. Não queria perder esse tempo. Mulheres podem ser terríveis consumidoras de tempo. E quando você faz poesia, elas esperam que você fique pra lá e pra cá balbuciando coisas profundas sobre o sentido da vida. Bem, jesus, eu não sou assim. O que eu posso dizer? Só quero as foder, é isso. Então quando você já esta com elas por uns quatro ou cinco dias e a coisa mais profunda que consegue dizer é "Ei baby, você se esqueceu de dar descarga" elas pensam: "Que diabo de poeta é esse?" Então durante esse período de quatro anos eu simplesmente decidi não caçar mais qualquer boceta em uma saia. Eu chegava do trabalho e tinha a cerveja e a música sinfônica, um lugar para deitar e minha velha máquina de escrever. Eu me masturbei bastante e escrevi várias coisas. Então acho que tudo correu bem. Até porque, escrever é mais importante do que qualquer mulher. Mas eu faço uma concessão e digo que tocar punheta é algo muito distante da coisa real. Quando se está com uma mulher que você gosta e o sexo é bom, a algo que toma lugar, que transcende o ato em si, algum tipo de relação de alma, que faz com que o problema todo valha a pena – pelo menos pelo resto da noite. Quero dizer, aqui estou eu, me masturbando, mexendo com essa coisa imensa e roxa, com as veias saltando e fantasiando como está fodendo alguma mulher, e depois que você termina, vai se deitar e pensa "Bem, isso não é tão ruim, mas algo está faltando. È aquela relação de almas."

Parecia um momento apropriado para testar o quão a sério ele leva o título de grande amante que ele conquistou com suas histórias. Eu o informo de que Linda voluntariamente deixou vazar a informação de que "ele é um amante muito criativo. Eu fiquei com ele cinco anos, e se eu não tivesse gostado, poderia facilmente procurar outra pessoa."

"Bem, por essa eu me assumo como culpado. Devo admitir que sou um bom amante. Pelo menos fui da última vez que eu fiz, o que não faz muito tempo. Mas provavelmente Linda está falando de exploração sexual, trabalhar lá embaixo com a língua e alguns movimentos criativos que nunca havíamos tentado antes. É como escrever um conto ou um poema, você não quer fazer do mesmo jeito toda vez, ou acaba ficando chato. É difícil de explicar...é apenas algo instintivo para manter as coisas frescas e excitantes. Como fazer de pé ao invés de só deitado. Eu posso fazer isso com essas minhas pernas. Digo, todo resto é merda. Mas minhas pernas são dinamite. E minhas bolas, eu tenho bolas genuinamente maravilhosas. Sem brincadeira, seu meu pau fosse proporcional á minhas bolas, eu seria o campeão de todos os tempos. Mas deixando as bolas de lado, imaginação é a chave. É um ato criativo."

Bem, Linda também me disse que teve que lhe ensinar sobre sexo oral.

"Hã?"

Linda disse que você nunca tinha, uh, chupado uma boceta antes de conhecê-la.

"Uhhmmm. Cristo. Ela podia ter apenas dito que eu era um bom amante, não podia?" em seu rosto se estampa uma mistura de sorriso tolo e franzir de sobrancelhas. Difícil dizer qual. "Tudo bem, é verdade. Quando eu conheci ela, uma das primeiras coisas que ela me disse foi que ela podia dizer pelas minhas histórias que eu nunca tinha feito aquilo. Não me pergunte como ela descobriu isso. De qualquer forma, ela disse que isso era uma deficiência em minha educação. Nós combinamos de corrigir isso, e nós o fizemos. Eu a cobri com a realidade da minha língua, entende? Então ela disse que eu talvez devesse praticar em outra mulher, e ela estava certo quanto a isso também. Uma coisa isso prova, nunca é tarde demais para um cara velho aprender novos truques. Outro quinhão da sabedoria de Bukowski."

A cerveja acabou e Bukowski está com fome. Ele se levanta e faz uma pergunta que mais parece um pedido. "Que tal comermos alguma coisa? Eu não como nada desde que comecei a beber e isso já faz um bom tempo." Alguns minutos mais tarde, estávamos zanzando pela Avenida Western no em 67 WV azul ("Eu vou dirigir esse filho da puta até ele desintegrar"), estávamos indo ao um lugar chamado Pioneer Chicken. "Tenho ido lá por anos, quando estou bêbado e não há comida no apartamento. Uma coisa importante, eu prefiro ficar atento a essas luzes vermelhas no retrovisor. Não suportaria ser pego. Poderia perder minha licença. Vamos supor que eles me prendam. O que vou dizer? Que sou Charles Bukowski, um dos maiores poetas do mundo? Que tenho bolas magníficas? Acha que o homem de azul vai engolir essa?"

Um carro em nossa frente que havia parado no sinal vermelho, demora a se mover quando o sinal fica verde. Bukowski lança um grito por fora da janela: "Vamos filho da puta! Se mexe! Mexe esse seu traseiro!" O motorista olha assustado e nervoso, e finalmente da a partida. "Você viu aquele babaca? Eu aposto que é um turista, provavelmente é de Chicago...sim, eu amo esta cidade (Los Angeles). Bem, eu não amo, mas é o único lugar em que eu já quis viver. Eu não poderia escrever em nenhum outro lugar. Espero que eu morra aqui. Não agora, talvez depois que fizer 80. Parece uma idade razoável para se morrer, não? Isso me da mais 25 anos. Eu posso escrever muita merda por 25 anos. Ei, eu me sinto bem hoje a noite. Hoje a noite eu sinto que devo fazer isso até os 80. Eu tenho alguns problemas estomacais. Meu fígado fica sobrecarregado e minhas hemorróidas tem planos de dominar o mundo, mas foda-se. Eu vou conseguir. Sou durão o suficiente para conseguir."

Chegamos ao Pioneer Chicken, e pedimos dois pratos de camarão. Sentado em uma mesa, comendo camarão e batatas fritas, Bukowski se torna reflexivo, falando sem enaltecer nada de seu passado, os efeitos das surras de seu pai ou lembranças dos dias de estrada. Bêbado, cansado e exposto, ele fica encarando um casal de jovens que passava, e em um tom confessional, ele diz: "Sabe, eu sempre me senti esquisito e irreal minha vida toda. Eu sem fui problema me relacionando com pessoas. Eu sempre fui o filho da puta – o cara que que diz a coisa errada e faz as pessoas se sentirem mal. As vezes acho que realmente não faço parte desse mundo." Uma pausa. "Eu digo que não gosto de pessoas, mas na verdade eu me sinto carregado quando estou perto delas. Eu costumava sentar em meu antigo apartamento com a janela aberta e escrevia olhando para as calçadas, cheias de pessoas passando. E eu incorpora as pessoas em minhas coisas. Talvez agora que eu tenho um pouco de sucesso, eu possa dizer algo legal para alguém de vez em quando, ao invés de sempre ser o babaca."

Ele para, olha para mim, e continua, depois para novamente e pensa melhor; talvez esteja pensando que já falou demais. "Ah, para o inferno! Vamos comer nossos camarões e ver as garotas passarem."

Nós dirigimos de volta e ele estaciona em uma rua perto de seu bangalô. Na calçada, nós apertamos as mãos. "Escute garoto," ele diz, "Eu não tenho amigos, mas tenho conhecidos. Então agora você é um conhecido."

"Bukowski," eu digo, "Você não é um cara mau – para um babaca."

Ele ri, coça sua barba e adentro seu apartamento e sua solidão.

*Revista Rolling Stone, 17 de Junho de 1976. Glen Esierly, um escritor freelance de Los Angeles, fez uma valente tentativa de conhecer CharlesBukowski, cerveja por cerveja, estudando seu perfil. Ele não foi bem sucedido

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Frases de Revistas Femininas da década de 50 e 60





Frases retiradas de revistas femininas das décadas de 50 e 60.

“Não se deve irritar o homem com ciúmes e dúvidas”.
(Jornal das Moças,1957).

“Se desconfiar da infidelidade do marido, a esposa deve redobrar seu carinho e provas de afeto, sem questioná-lo”.
(Revista Cláudia, 1962).

“A desordem em um banheiro desperta no marido a vontade de ir tomar banho fora de casa”. (Jornal das Moças, 1965).

“A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas, servindo-lhe uma cerveja bem gelada. Nada de incomodá-lo com serviços ou notícias domésticas”.
(Jornal das Moças, 1959).

“Se o seu marido fuma, não arrume briga pelo simples fato de cair cinzas no tapete. Tenha cinzeiros espalhados por toda casa”.
(Jornal dasMoças, 1957).

“A mulher deve estar ciente que dificilmente um homem pode perdoar uma mulher por não ter resistido às experiências pré-nupciais, mostrando que era perfeita e única, exatamente como ele a idealizara”.
(Revista Cláudia,1962).

“Mesmo que um homem consiga divertir-se com sua namorada ou noiva, naverdade ele não irá gostar de ver que ela cedeu”.
(Revista Querida, 1954).

“O noivado longo é um perigo, mas nunca sugira o matrimônio. Ele équem decide – sempre”. (Revista Querida, 1953).

“Sempre que o homem sair com os amigos e voltar tarde da noite,espere-o linda, cheirosa e dócil”.
(Jornal das Moças, 1958).

“É fundamental manter sempre a aparência impecável diante do marido”.
(Jornal das Moças, 1957).

E para finalizar. . .

“O lugar de mulher é no lar. O trabalho fora de casa a masculiniza”.
(Revista Querida, 1955).

sábado, 3 de outubro de 2009

Depois de Tremembé


Canção da Volta

Dolores Duran

Composição: Ismael Neto e Antônio Maria

Nunca mais vou fazer
O que o meu coração pedir
Nunca mais vou ouvir
O que o meu coração mandar
O coração fala muito
E não sabe ajudar
Sem refletir
Qualquer um vai errar, penar-
Eu fiz mal em fugir
Eu fiz mal em sair
Do que eu tinha em você
E errei em dizer
Que não voltava mais

Nunca mais
Hoje eu volto vencida
A pedir pra ficar aqui
Meu lugar é aqui
Faz de conta que eu não saí

Olha o Tempo Passando

Dolores Duran

Composição: Dolores Duran/Edson Borges

Olha, você vai embora
Não me quer agora
Promete voltar
Hoje você faz pirraça
Até acha graça se me vê chorar
A vida acaba um pouco todo dia
Eu sei e você finge não saber
E pode ser que quando você volte
Já seja um pouco tarde pra viver
Olha o tempo passando
Você me perdendo com medo de amar
Olha, se fico sozinha
Acabo cansando de tanto esperar.