quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Sempre fui uma criança que não gostava de outras crianças.
Gostava mesmo era de ficar perto dos adultos. Talvez fosse um pouco inconveniente para alguns, mas para outros havia sentimentos de amizade, carinho e atenção sincera.
O Walter era um amigo da minha mãe que se tornou meu amigo. Ele era "o adulto legal" que morava numa casa bonita e que realmente gostava de conversar comigo. Conversávamos muito. Ele sempre foi um bom ouvinte e confidente. Corinthiano, fiel e sofredor... por muito tempo, minha diversão era assistir aos jogos com ele.
Era um adulto sensível, desses que raramente encontramos.
Viveu como quis. Autêntico. Profissão: cartomante. Opção sexual: homossexual. Muitos predicados que costumam ser julgados por qualquer um que não o conhecia. Não parecia se importar com o que os outros falavam ou pensavam dele. Não tinha preconceitos. E só queria ser feliz.
Tornei-me adulta e confesso que não era mais uma amiga presente em sua casa.  Mas sempre me lembrava dele com carinho e admiração. Saber do seu falecimento me fez lembrar do tanto que gostava dele... Do tanto que aprendi com ele. Do tanto que, ser Carina, se moldou com ele.
Que a alegria, as risadas e as cervejas geladas das 18h estejam sempre vivas na lembrança dos seus amigos.
Descanse em paz meu amigo.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Descanse em paz, João Ubaldo Ribeiro.

Gosto de muitos escritores e por isso é difícil dizer quem são os melhores e o porquê eu acho isso bom e o outro não. Sempre tive escritores que  me apegava mais. Apegava pra valer e por isso lhes dava apelidos carinhosos. "Caço" por eles em sebos, promoções de livrarias virtuais e sempre que posso compro os seus livros. Foi assim com o João Ubaldo Ribeiro. Depois de ler apenas um livro dele, ele se tornou meu escritor "amorzinho", desses que eu sempre procuro para comprar e ler. Ser amigo do Rubem Fonseca também pesou no meu coração. Mas ele realmente é uma incrível referência da literatura brasileira. Brasileiro com identidade, orgulhoso de seu país, genial e sensível como poucos conseguem ser. 
Descanse em paz, João Ubaldo Ribeiro.  

sexta-feira, 18 de abril de 2014

A Revolução em mim.

Ler "A Revolução dos Bichos" me fez lembrar da revolucionária que fui um dia. Na sonhadora e  utópica garota que aos 17 anos se deliciava nas aulas de História. Havia entendido que a velha e repetida linha do tempo colocada na lousa  sagradamente a cada começo de ano,  (didática é isso minha gente) tinha ainda, um presente e um futuro que podia ser revolucionado por minha geração. Gostava de acreditar que a História do mundo através dos séculos não seria cíclica, apenas com teocentrismo, egocentrismo, guerras, paz, dominações, descobertas e tantos retrocessos. Gostava de imaginar que faria parte de uma sociedade diferente de todos os séculos estudados. Entre a paixão por História e o amor por Literatura, acabei optando por Letras, visto que continuaria tendo a linha do tempo na minha lousa todo começo de ano (contextualizar é preciso). Ainda mais porque o pós-moderno em que vivemos ainda é um período em construção e eu faço parte dessa construção/desconstruída/destruturada/DES...DES... 
Enquanto focava minhas análises no pós-moderno e na crise da identidade cultural do sujeito pós-moderno (tema do meu tcc em 2008), um amigo sugeriu e  emprestou o clássico de George Orwel, mas naquele ano não foi a hora nem tempo para tal leitura. Hoje, 2014 e meus quase 27 anos, tive a oportunidade de passar o dia com os mais famosos e revolucionários bichos da literatura contemporânea. A inegável metáfora contra os regimes totalitaristas e a clara existência de um intertexto com a real história da Revolução Russa, despertaram em mim velhos sentimentos.  Todos os nomes de líderes históricos vinham a minha cabeça, mas... já não lembrava dos detalhes desse marcante período do século XX. Senti saudade da minha professora de História. Senti saudades do meu amor por História. Senti mais saudades ainda dos meus amigos e companheiros de profissão formados em História. Ou até mesmo o amigo que me emprestou o livro em 2008 (e eu o devolvi). Queria nesse momento estar tomando uma gelada com eles e discutindo essa atemporal narrativa de porcos capitalistas. 
Mas a linha do tempo de cada um desses personagens estão em paralelas com a minha linha. Não há tempo para se discutir ou fazer revoluções. É feriado prolongado e essa "pausa" serve como descanso para mim e para todos os meus revolucionários amigos.