sexta-feira, 18 de abril de 2014

A Revolução em mim.

Ler "A Revolução dos Bichos" me fez lembrar da revolucionária que fui um dia. Na sonhadora e  utópica garota que aos 17 anos se deliciava nas aulas de História. Havia entendido que a velha e repetida linha do tempo colocada na lousa  sagradamente a cada começo de ano,  (didática é isso minha gente) tinha ainda, um presente e um futuro que podia ser revolucionado por minha geração. Gostava de acreditar que a História do mundo através dos séculos não seria cíclica, apenas com teocentrismo, egocentrismo, guerras, paz, dominações, descobertas e tantos retrocessos. Gostava de imaginar que faria parte de uma sociedade diferente de todos os séculos estudados. Entre a paixão por História e o amor por Literatura, acabei optando por Letras, visto que continuaria tendo a linha do tempo na minha lousa todo começo de ano (contextualizar é preciso). Ainda mais porque o pós-moderno em que vivemos ainda é um período em construção e eu faço parte dessa construção/desconstruída/destruturada/DES...DES... 
Enquanto focava minhas análises no pós-moderno e na crise da identidade cultural do sujeito pós-moderno (tema do meu tcc em 2008), um amigo sugeriu e  emprestou o clássico de George Orwel, mas naquele ano não foi a hora nem tempo para tal leitura. Hoje, 2014 e meus quase 27 anos, tive a oportunidade de passar o dia com os mais famosos e revolucionários bichos da literatura contemporânea. A inegável metáfora contra os regimes totalitaristas e a clara existência de um intertexto com a real história da Revolução Russa, despertaram em mim velhos sentimentos.  Todos os nomes de líderes históricos vinham a minha cabeça, mas... já não lembrava dos detalhes desse marcante período do século XX. Senti saudade da minha professora de História. Senti saudades do meu amor por História. Senti mais saudades ainda dos meus amigos e companheiros de profissão formados em História. Ou até mesmo o amigo que me emprestou o livro em 2008 (e eu o devolvi). Queria nesse momento estar tomando uma gelada com eles e discutindo essa atemporal narrativa de porcos capitalistas. 
Mas a linha do tempo de cada um desses personagens estão em paralelas com a minha linha. Não há tempo para se discutir ou fazer revoluções. É feriado prolongado e essa "pausa" serve como descanso para mim e para todos os meus revolucionários amigos.   

Nenhum comentário:

Postar um comentário