quinta-feira, 1 de junho de 2017

ABRAÇAR E AGRADECER


Chegar para agradecer e louvar.
Louvar o ventre que me gerou
O orixá que me tomou,
E a mão da doçura de Oxum que consagrou.
Louvar a água de minha terra
O chão que me sustenta, o palco, o massapê,
A beira do abismo,
O punhal do susto de cada dia.
Agradecer as nuvens que logo são chuva,
Sereniza os sentidos
E ensina a vida a reviver.
Agradecer os amigos que fiz
E que mantém a coragem de gostar de mim, apesar de mim...
Agradecer a alegria das crianças,
As borboletas que brincam em meus quintais, reais ou não.
Agradecer a cada folha, a toda raiz, as pedras majestosas
E as pequeninas como eu, em Aruanda.
Agradecer o sol que raia o dia,
A lua que como o menino Deus espraia luz
E vira os meus sonhos de pernas pro ar.
Agradecer as marés altas
E também aquelas que levam para outros costados todos os males.
Agradecer a tudo que canta no ar,
Dentro do mato sobre o mar,
As vozes que soam de cordas tênues e partem cristais.
Agradecer os senhores que acolhem e aplaudem esse milagre.
Agradecer,
Ter o que agradecer.
Louvar e abraçar!


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Quases.

Haveria de se lembrar 9 anos depois daquela tarde de sábado, quando diante do alegre violão dele, estava vivendo uma paixão.
Não a mais importante.
Nem a menos importante.
Apenas aquela paixão do momento.
Aquela que era feita de passar à tarde junto com ele tocando as mesmas músicas, com sua voz rouca por conta do cigarro e um pouco embriagados por causa das várias cervejas.
Gostavam de quase as mesmas coisas.
Bebiam quase o mesmo tanto.
Comiam quase sempre juntos.
 Liam quase sempre na mesma frequência.
Trepavam quase sempre com vontade.

Se amaram quase que por completo.

Com tantos "quases" não se faz uma história longa.
Com tantos "quases" o amor não floresce.

Miniconto.